Anápolis vira manchete nacional e motivo de piada


                  
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Depois de assumir e reafirmar o que falou sobre Bin Laden, vereador Valmir Jacinto (PR) se assusta com repercussão e envolve a Câmara em sua polêmica no tal minuto de silêncio ao terrorista saudita; entre seus pares, muita indignação


Na última semana o vereador de Anápolis Valmir Jacinto (PR) colocou a cidade de Anápolis nas manchetes nacionais e em algumas das principais edições internacionais. Não porque teve uma idéia brilhante ou porque resolveu um problema importante da cidade ou do Brasil. Mas, sim, porque no dia seguinte ao anúncio da morte de Osama Bin Laden, ele propôs que a sessão plenária da qual participava prestasse homenagem de um minuto de silêncio pelo passamento do terrorista internacional.
Tudo aconteceu em meio à homenagem póstuma de dois anapolinos mortos recentemente, o empresário Deocleciano Moreira Alves, e o radialista Célio Borges. Após o reconhecimento destes dois eventos, o vereador Jacinto solicitou um minuto de silêncio ao “companheiro” Osama Bin Laden. “Eu quero aqui solicitar a vossa excelência, que nós façamos um minuto de silêncio em homenagem ao seu Deocleciano e ao Celinho, da Rádio São Francisco, e o nosso companheiro Bin Laden, que também morreu”, pediu o vereador Valmir Jacinto. Os vereadores presentes ficaram de pé e se silenciaram.
 
O assunto rapidamente tomou conta do noticiário local e, através das redes sociais – principalmente o Twitter – ganhou o conhecimento fora de Goiás, chegando à grande imprensa. O absurdo proposto por Jacinto e acatado pela Câmara Municipal chegou tornou-se destaque em quase todas as publicações eletrônicas poucas horas depois de ocorrido. Foi capa, por exemplo, do jornal Extra – do grupo O Globo – e dos portais Terra, UOL, entre outros. O ponto alto, certamente, foi estar presente na edição de quarta-feira (4) do Jornal Nacional.

Versões
Como diz o ditado popular, a emenda sempre fica pior que o soneto. E assim foi feito. Concluída a bobagem – que marcou o vereador e, por infelicidade, a cidade no folclore político nacional – vieram as explicações. De comportamento brejeiro e desacostumado a qualquer corte por parte de veículos de comunicação, nem mesmo os locais, o vereador Valmir Jacinto deu, a cada repórter que o procurava, uma explicação. Em nenhuma delas, por motivos óbvios, conseguiu convencer ou ter uma argumentação sustentável.
Durante a sessão de quarta-feira (4), Valmir Jacinto confirmou ter homenageado Osama Bin Laden. “Tudo o que eu disse eu assino embaixo”, confirmou para tranqüilizar os demais vereadores garantindo que “o nome da Casa não seria envolvido”.
 
“Aqui é a casa do povo. O povo tem opiniões divididas, faço minhas pontuações e colocações com muita firmeza”, continuou durante seu discurso. Garantiu ainda, que não pretendeu prejudicar ninguém e pediu aos colegas vereadores que não se preocupassem que o ato era dele e não deixaria que ninguém respondesse pelos seus atos. “Gosto de promover o bem”, completou.
 
“Quando chegamos no momento da morte somos todos iguais, em uma vala comum”, justificou-se pela homenagem ao terrorista. E continuou retirando toda a culpa da Casa, assumindo para si toda a responsabilidade.
 
No entanto, durante uma entrevista ao Jornal Nacional e assustado com tamanha repercussão, o vereador pediu a ajuda subjetiva da instituição que o abriga e se contradisse. Falou o tempo inteiro na terceira pessoa do plural, como se estivesse falando em nome da Câmara Municipal de Anápolis: “A passagem de Bin Laden para o outro lado é uma passagem em que somos solidários e dizer para ele que estamos livres de pessoas como ele no nosso meio, da sociedade mundial”, concluiu.


A homenagem a Bin Laden é isolada, pessoal e individual de Jacinto”, diz nota da presidência


O presidente da Câmara Municipal, vereador Amilton Batista (PTB), disse que só assistiu a reportagem do Jornal Nacional na quinta-feira (5) pela internet e concordou que o depoimento de Valmir Jacinto pareceu contraditório à sua retratação na última sessão em tribuna. “Infelizmente pareceu que ele entrou em contradição, mas talvez seja o jeito dele de se pronunciar”, disse. Ainda, afirmou que gostaria que tudo isso terminasse logo e que sua declaração a respeito do assunto é a que está na nota de esclarecimento.
Se Jacinto queria a ajuda dos colegas para dividir o peso da polêmica em que se meteu, a nota de esclarecimento emitida pela Mesa Diretora da Câmara Municipal de Anápolis o deixa sozinho nessa. Consta no documento que a obediência ao minuto de silêncio, com a concordância unânime de todos os demais vereadores, se referiu apenas à propositura relativa à homenagem pela memória de Deocleciano Moreira Alves e de Célio Adelino Borges. Segundo a publicação, a homenagem ao terrorista é isolada, pessoal e individual do vereador Valmir Jacinto. A nota ainda reitera que o mesmo tem direito de livre expressão de pensamentos e manifestação de ideias quando no uso da tribuna em plenário.

Desculpas
Vereador do PMDB, Assef Naben lembra que na hora do ocorrido ainda não havia descido para a sessão, pois estava atendendo em outras dependências da Câmara Municipal. Mesmo assim, é enfático ao criticar vereador e Mesa Diretora. “O presidente Amilton Batista foi muito infeliz na hora em que concedeu ao Jacinto o momento de silêncio”, disse Assef Naben. Segundo ele, trata-se de um acontecimento lamentável por ter sido um terrorista, um dos homenageados.
 
“Acho que essa homenagem foi um equívoco muito grande, e lamento muito por Anápolis, espero que a população entenda que foi uma infelicidade de momento do vereador Vilmar Jacinto e que não foi intenção da casa, pelo menos minha não!”, ressaltou. Ele explicou também que os vereadores se justificaram mais tarde dizendo que não ouviram Valmir Jacinto pronunciar o nome de Bin Laden, caso contrário, teriam se colocado contra. “A homenagem era para dois ilustres anapolinos”, completou.
 

Feira
Apesar de não ser uma justificativa aceitável, não ter escutado um pronunciamento por parte dos demais vereadores, é totalmente “compreensível”. Afinal, as sessões na Câmara Municipal de Anápolis mais parecem uma recreação. Ou uma feira livre com todos os produtos em promoção.
 
Os vereadores conversam paralelamente o tempo inteiro, mesmo quando tem alguém se manifestando. Algumas vezes parecem desinteressados, viajando pelos próprios pensamentos. Há também risos e brincadeiras entre os colegas. Dessa forma, duas pessoas queridas pela população de Anápolis foram colocadas no mesmo nível do terrorista mais procurado e temido do mundo. E o mundo descobriu que, pelo menos em Anápolis, há um vereador que cumpre bem o papel de homenagear a ideologia Taleban. Seu nome: Valmir Jacinto.


Ex-líder de Pedro Sahium, vereador tem momentos de omissão e polêmica
 

Não é possível, através deste ocorrido, traçar uma linha comportamental do vereador Valmir Jacinto (PR) na política de Anápolis. Professor de Matemática e policial militar, o vereador está em seu segundo mandato e coleciona momento completamente diferentes em sua breve trajetória política.
 
Sempre alternando momentos polêmicos e com frases de impacto em algumas situações, com a total ausência na participação de grandes debates de interesse do coletivo municipal, Jacinto teve como ponto alto de sua carreira – na legislatura passada – o fato de ter exercido a liderança do ex-prefeito Pedro Sahium (hoje, DEM), na Câmara Municipal. Em um momento de bastante instabilidade política, era Jacinto quem tentava salvar Sahium das garras da oposição. Sua habilidade por muitas vezes complicava a imagem do então prefeito.
Ligado às forças policiais, a bandeira principal de Jacinto é a defesa das “fardas”. Sempre se posicionou de modo a prestar homenagens a autoridades militares, bombeiros e demais agentes ligados à Segurança Pública. Chega, às vezes, a irritar a imprensa e seus colegas quando no auge de alguns debates, pede a palavra para citar que houve uma mudança no comando dos bombeiros em algum lugar ou ressaltar uma ação policial em uma padaria de algum bairro. Tudo para demarcar posição e se reafirmar como um edil das fardas.
Agora, curiosamente, tornou-se um defensor de outro tipo de fardas, as usadas por terroristas, cujas principais armas são a própria vida, os alvos, a vida de inocentes e as causas são o fundamentalismo religioso. Mais uma vez, Jacinto se mostra tão instável em sua breve carreira política como um homem bomba a caminho de um prédio público americano.













fonte: www.oanapolis.com.br

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